

Luiz
Gonzaga,” O REI DO BAIÃO”
E
assim chego ao fim de mais uma de minhas telas.
Um
dia me falaram que no fim lembramos o começo, daí entre a difícil despedida do
filho pródigo e a sensação de missão cumprida, confesso ser fácil contar como
chegamos até aqui.
Lembro-me
que era uma dessas tardes radiantes de domingo, estávamos na casa de Amilton,
lá compartilhamos de várias coisas como os bons amigos, a aguardente, a boa
prosa e a velha e companheira viola, mas diferente de qualquer outra tarde,
essa nos dava a satisfação de poder dividir também da alegria de um amigo
(Neguinho) ao contar sobre seu projeto e os porquês. Ouvi cada palavra
atentamente e como um orgulhoso e autêntico lagoense me senti presenteado e fui
logo pedindo ao mesmo que separasse um prego e um cantinho na parede para que
eu pudesse retribuir.
Até
então eu ainda não tinha real noção desse projeto, como sabemos, do dizer até o
ser tem sempre uma diferença, às vezes para mais ou para menos e, para alegria
da terrinha, nesse caso foi bem para mais. Com isso o meu retribuir agora
exigia um pouco mais, já não podia ser qualquer coisa ou qualquer um. Por dias
fiquei me perguntando: O que vou fazer? Fiz como referência a hospitalidade e
culinária do lugar, ai lembrei-me do nosso povo nordestino, mas ainda não
estava bom, eu queria o singular, um marco, algo que sozinho pudesse
representar e estar à altura daquele ambiente que minha terra acabara de
ganhar, pensei no conforto que ali desfrutei, então juntei conforto mais a
preguiça e deu Dorival Caymmi, mas ainda não era ele. Fiquei repetindo por
várias vezes o nome de batismo do lugar “CASA DE REBOCO... CASA DE REBOCO”.
Daqui a pouco eu estava cantarolando uma música que dizia mais ou menos assim:
“Todo
tempo quanto houver pra mim é pouco Pra dançar com meu benzinho numa sala de
reboco Todo tempo quanto houver pra mim é pouco Pra dançar com meu benzinho
numa sala de reboco...” Logo depois estava eu sorrindo à toa, acabava de
encontrar o grande nome: LUIZ GONZAGA, O REI DO BAIÃO!
Se
acertei na minha escolha ainda não sei, o que sei é que por todo esse mundão um
cabra mais arretado e que faça pareia com a CASA DE REBOCO não encontrei como O
REI DO BAIÃO.
O
símbolo maior da música nordestina em todos os tempos e, por conseguinte, um
dos grandes expoentes de nossa música popular. Ele que mostrou ao Brasil e ao
Mundo como se dança e como se faz esse gênero musical genuinamente brasileiro.
Idealizou a formação do trio de instrumentos, com os quais se toca o gênero:
sanfona, triângulo e zabumba, para apresentações ao vivo. Incentivou e foi
referência para centenas e centenas de artistas de sua geração e das gerações
vindouras que passaram a compor e gravar o baião, que é gênero-referência para
uma série de outros ritmos do Brasil, a exemplo do forró, xaxado, coco,
marchinha junina e xote. Na década de 50, o povo "batizou" Gonzaga
como Rei do Baião. E ele falou assim: “Reinado, coroa, tudo isso o baião me
deu”. Estrela de ouro no meu chapéu, roupa de couro e gibão, como milagre caído
do céu, me fizeram o Rei do Baião.
“Allwanderson
Costa”
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