quarta-feira, 1 de julho de 2015

Zico levanta suspeita sobre Dunga e Gilmar: ‘Seleção não é balcão de negócios’

zico_criticaFoto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo

Zico, que saiu com as mãos abandando das Copas de 78, 82 e 86, talvez se enquadrasse nos “bons com azar” citados ironicamente por Dunga na polêmica entrevista coletiva da última sexta-feira, um dia antes da eliminação da Copa América, diante do Paraguai. Avesso a comparações entre o passado e o presente, o eterno ídolo do Flamengo não gostou do ataque do treinador a gerações antigas que brilharam, mas não venceram com a Amarelinha. Em entrevista ao Blog Extracampo, num alerta seco e direto, sem dribles ou rodeios, Zico não poupou nem mesmo o coordenador de seleções da CBF, Gilmar Rinaldi:
- Não faço comparação, justamente porque cada época é uma época. Perdi Copas, mas com jogadores que mereciam estar na seleção brasileira. Para estar numa seleção, é preciso ter títulos, números significativos, prêmios individuais, nem que seja de melhor jogador do bairro. Hoje é muito fácil ir para a seleção. Qualquer um vai. O cara faz três bons jogos, se torna conhecido, é vendido a peso de ouro. Temos que estar atentos a isso. Seleção não é um balcão de negócios. Mas temos lá um empresário do futebol (Gilmar) comandando… Ou ele já não é mais empresário? Quando saiu do Flamengo, ele levou os três melhores: Adriano, Juan e Reinaldo. Então, vamos ver se quando sair da seleção, ele vai voltar a ser empresário? – alfinetou Zico, referindo-se ao ex-goleiro Gilmar, que marcou época no Rubro-negro.
Gilmar Rinaldi ficou surpreso com a declaração de Zico, mas preferiu não se estender sobre o assunto:
- Não vou falar nada. Vou pensar um pouco. Não sei… Não entendi. Ele falou isso mesmo? Não consigo acreditar… No dia em que entrei na CBF, eu me descadastrei na Fifa. Claro que não volto mais (à atividade de empresário). Não sei o que dizer. Vou ler de novo a matéria – afirmou.
Na Copa de 78, Zico participou da campanha invicta da seleção, que ficou apenas em terceiro lugar. Em 82, foi líder do escrete que encantou o planeta, mas que esbarrou na Itália, de Paolo Rossi. Em 86, Zico perdeu um pênalti na eliminação diante da França, nas quartas de final. Hoje, na sua avaliação, Dunga apenas busca um álibi no passado para encobrir o que há de ruim no futebol da seleção.
- Ficar falando de passado não dá. Tem que ver o que fazer para melhorar. Não adianta ficar atacando os outros. Se bem que não me sinto atacado porque sou vitorioso na minha carreira. Antes da Copa América, estavam falando que o Brasil ganhou não sei quantos amistosos. Amistoso não serve para nada. Tentaram recuperar a credibilidade em cima de números de amistosos, quando nos últimos seis jogos oficiais a seleção perdeu três, venceu dois e empatou um. Isso é que vale – destacou.
Zico não enxerga nenhum avanço na seleção brasileira após os 7 a 1 diante da Alemanha na Copa do Mundo.
- Continua a mesma coisa – encerrou.
Na última sexta-feira, Dunga questionou gerações passadas que foram exaltadas, embora não tenham conseguido conquistar a Copa do Mundo.
- Como vou explicar para o torcedor que o ruim ganha, e o bom perde? Você pode dizer que nem sempre o bom ganha, e eu concordo. Mas em 24 anos tem que ganhar. Técnica é bom, mas não é suficiente para formar um time – disse Dunga, indiretamente enaltecendo o tetracampeonato de 94, que teve sua participação.

Extra – O Globo

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