quinta-feira, 30 de junho de 2016

É um milagre a operação ainda estar viva, diz coordenador da Lava Jato

lavajato
Do IG.
O procurador da República, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou ser um “milagre” que a operação ainda esteja funcionando, se forem levados em conta todos os aparatos de recursos que existem no Judiciário brasileiro. “A Lava Jato é um milagre, uma conspiração dos planetas. A gente, no começo, olha a Lava Jato como você olha um filho de seis meses, a cada dia feliz por ele estar vivo.”
Em palestra, o procurador foi questionado sobre a soltura desta quarta-feira (29) do ex-ministro Paulo Bernardo por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Bernardo estava detido desde a semana passada em virtude da operação Custo Brasil, desdobramento da Lava Jato que apura desvios no Ministério do Planejamento quando o petista comandava a pasta.
Dallagnol preferiu não emitir opinião sobre o caso específico de Bernardo, pois a Custo Brasil é comandada pela Polícia Federal de São Paulo e não de Curitiba, mas criticou o número de instâncias a que um habeas corpus tem acesso – desembargador na segunda instância, turma na segunda instância; relator no Superior Tribunal de Justiça, turma no STJ; relator no STF, turma no STF. “E não é só isso: você pode mudar o mínimo no pedido de habeas corpus e seguir todo esse caminho de novo”, afirmou. “O habeas corpus tem que existir, sim, mas como existe no mundo inteiro, não ‘à brasileira’”, defendeu.
O procurador também criticou o sistema de prescrição no Brasil, que permite até ser retroativa, algo que, segundo ele, só existe no País. O delator também criticou o sistema de nulidades. Segundo ele, é um atraso que, no Brasil, uma nulidade processual possa derrubar uma operação inteira de combate à corrupção. “Você não desmonta um prédio inteiro apenas porque um cano está furado.”
O procurador defendeu a postura da força-tarefa da Lava Jato e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ao ser questionado sobre a lista tríplice para indicação do procurador-geral, Dallagnol defendeu o mecanismo, e entrou na questão das delações premiadas. “Sempre eles (os delatores) nos procuraram e acompanhados dos advogados. Nós vivemos uma guerra de comunicação. Adotamos a política de ter entrevista coletivas para que a sociedade reaja.”

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