sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Presidente da CUT convoca luta armada em defesa da presidenta Dilma

Central-Única-dos-TrabalhadoresFoto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em solenidade realizada nesta quinta-feira (13) no Palácio do Planalto, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, deu “um recado aos golpistas” e disse que, se os adversários da presidenta Dilma Rousseff insistirem na tese do impeachment, um “exército” armado irá às ruas para defendê-la. A frase foi dita em discurso no evento “Diálogo com Movimentos Sociais”, parte da estratégia que o governo põe em curso para recuperar os índices mínimos de popularidade de Dilma e se contrapor às manifestações do próximo domingo (16).
“Recado para os golpistas: nós somos trabalhadores, trabalhamos pela democracia. O que se vende é a intolerância, o preconceito de classe contra nós. Somos defensores da unidade nacional. Isso implica ir para as ruas entrincheirados, de armas na mão, se deitar [na rua] e lutar, se tentarem tirar a presidente”, disse Vagner, diante de cerca de 1,2 mil pessoas de diversas entidades sindicais.
“Nós teremos o exército que vamos enfrentar essa burguesia”, acrescentou.
Nas manifestações de 15 de março, quando mais de um milhão de pessoas foram às ruas com demandas diversas – principalmente o “fora, Dilma” e o protesto contra o Congresso e a política atuais –, a CUT e outras entidades fizeram atos em defesa da Petrobras e da democracia em algumas localidades do país, mas com menos participação popular. A iniciativa foi vista por organizadores do movimento com uma provocação, e observadores da cena política avaliam que isso acabou provocando a adesão de ainda mais manifestantes contra Dilma.
Além da CUT, o evento no Planalto reuniu representantes de entidades como Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), União Nacional dos Estudantes (UNE), e Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), entre outros. Paralelamente, outras 12 entidades sindicais divulgaram manifesto em defesa de Dilma, mas com o registro de demandas das categorias (veja abaixo).

Conjuntura
As próximas manifestações serão realizadas na ESTEIRA da mais recente pesquisa Datafolha, divulgado em 6 de agosto, mostrando que rejeição de Dilma (71%) é a maior desde a reabertura democrática, em 1985. Os números negativos superam até mesmo o do ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor (PTB-AL), que foi cassado e, ainda assim, bateu Dilma em três pontos percentuais.
Para a oposição, que aderiu às manifestações, governo deve se preocupar, principalmente, com a sua situação na Justiça Eleitoral. Hoje (quinta, 13), o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conhecido por suas divergências em relação ao governo petista, deu andamento à ação em que o PSDB pede a impugnação do mandato de Dilma e seu vice, Michel Temer. Os tucanos alegam que a chapa vencedora nas eleições do ano passado foi abastecida com dinheiro de corrupção, por meio do esquema de desvios na Petrobras desvendado pela Operação Lava Jato, além de ter incorrido em abuso do poder econômico.
Também causa preocupação ao Planalto o julgamento, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de pontos ainda não esclarecidos a respeito das contas do governo referentes a 2014. Dilma tem mais 15 dias para prestar esclarecimentos adicionais à corte de contas. Em jogo, as chamadas “pedaladas fiscais”, artifício contábil do governo para garantir a execução de programas sociais e cumprir meta de superávit (economia para o pagamento de juros da dívida pública).
Além das questões institucionais, ainda há a questão das ações do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que despachou diversos pedidos de impeachment no mesmo dia em que anunciou rompimento com o governo, como este site revelou em primeira mão em 17 de julho. Ao Congresso em Foco, no dia seguinte ao seu rompimento com o governo, o deputado admitiu apoiar uma eventual abertura de processo de impeachment contra Dilma.
Leia a íntegra do manifesto das 12 entidades AQUI

Congresso em Foco – UOL

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