quinta-feira, 19 de junho de 2014

Japones em massa em Natal


Até bem pouco tempo, os japoneses pouco sabiam sobre o futebol. O máximo de contato era apenas pela televisão e sua seleção entrava na Copa do Mundo, como coadjuvante ou candidata a surpresa. Mas, quase 30 anos depois que Zico resolveu ir jogar na terra do Sol Nascente, no início dos anos 90, as coisas mudaram. Tanto, que até "pelada", os nipônicos estão jogando, como foi possível notar na tarde de ontem, na beira da praia de Ponta Negra. A empolgação era tanta que eles pouco se importavam em vencer a partida, que ainda contou com a participação de pessoas de outras nacionalidades, como australianos, italianos e americanos.


Magnus Nascimento
O Japão conheceu a Arena das Dunas, onde vão enfrentar, hoje, a Grécia, precisando de uma vitória para continuar com chances de classificação para as oitavas
O Japão conheceu a Arena das Dunas, onde vão enfrentar, hoje, a Grécia, precisando de uma vitória para continuar com chances de classificação para as oitavas

Não era só na praia de Ponta Negra que se podia ver os japoneses. Eles estavam espalhados por toda a cidade, conhecendo os pontos turísticos de Natal e as praias do litoral potiguar. E essa quantidade de nipônicos deve aumentar ainda mais durante o dia de hoje, quando o Japão recebe a Grécia, pela segunda rodada do grupo C, da Copa do Mundo, na Arena das Dunas. 



De acordo com dados da Embaixada do Japão em Natal, são esperados entre sete e 10 mil japoneses no jogo de hoje. E, os responsáveis pela recepção dos nipônicos dão algumas dicas para os recém-chegados a Cidade do Sol. "Estamos com um stand no Aeroporto Aluízio Alves, entregando panfletos explicativos sobre Natal. Pontos turísticos, os cuidados que eles devem ter com as bagagens, números de telefones importantes, para caso eles precisem. Estamos trabalhando desde dezembro para que eles possam se sentir em casa quando chegarem a Natal. Queremos que eles possam ter outras opções de turismo quando vierem ao Brasil e não ficar apenas na região Sudeste e Sul", explica a presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira do Rio Grande do Norte, Wanda Mieko Urushima.


Os telefones para contados, que estão nos panfletos entregues, são 9880.1084 e 9880.1094, todos com o DDD do Rio Grande do Norte (84) e que, de acordo com Urushima, estão ligados 24h.

Mas, não é de hoje que o Rio Grande do Norte está ligado ao Japão. Ainda na década de 50, vários japoneses aportaram no Estado, procurando uma vida mais estável e próspera. Uma das essas famílias foi a Matsunae, que se instalou na comunidade de Pium, em Parnamirim, em 1957 e desde então, tem o Brasil e , especialmente o solo potiguar, como a segunda (em alguns casos), a primeira casa.

Foi o que aconteceu com o comerciante Kengi Matsunae. Ele veio ainda criança, com 11 anos,  para o Brasil, acompanhado pelos pais e desde então, desenvolveu uma forte ligação com o Rio Grande do Norte. Por isso, a sua torcida está dividida entre os dois países: o que ele nasceu e o que ele escolheu para viver.

"Como vim muito pequeno para cá, não tenho essa ligação tão forte com o Japão. Acabo torcendo mais para o Brasil. Mas, queria que os japoneses pudessem vencer seus jogos e passar de fase. Seria bom para que Natal visse de perto esse sentimento de entrega, uns verdadeiros samurais dentro de campo. Acho que foi isso que faltou ao time do Brasil no empate diante do México. Os jogadores precisam se doar ao máximo dentro de campo", afirma Kengi.

Tribuna do Norte

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